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12 de jun. de 2013

É proibido protestar?


Na última semana, uma onda de protestos sacudiu a cidade de São Paulo, após o anúncio do aumento da passagem de ônibus, trens e metrô de R$3,00 para R$3,20. Milhares de manifestantes, a maior parte estudantes, se reuniram e pararam vários pontos da cidade, entre eles a Avenida Paulista. Contudo, de um protesto pacífico, a manifestação evoluiu para atos de vandalismo por parte de alguns manifestantes, o que gerou argumento suficiente para mídia e população condenarem a manifestação.

O que se viu na cobertura das passeatas foi uma série de acusações contra o movimento, e o foco da imprensa foi mostrar os protestantes apenas como "um monte de estudantes querendo fazer baderna". Se esqueceu de falar o porquê de eles estarem lá, em primeiro lugar. Também não foi mostrado o modo como tais manifestantes foram recebidos pela polícia: com bala de borracha e gás lacrimogênio. Para o governador Geraldo Alckmin, parar o trânsito é "caso de polícia" (assim como é caso de polícia a causa dos professores em greve, recebidos à bala por nosso nobre  governador). A população, por sua vez, influenciada pela cobertura extremamente parcial da mídia e pelas imagens de vandalismo que circularam na imprensa, condenou imediatamente os protestos.

Não sou a favor das pichações e depredações que ocorreram. O ideal seria, é claro, uma passeata pacífica. Por outro lado, sou 100% a favor de manifestações públicas como essa em São Paulo, e acredito que, se movimentos desse tipo fossem mais frequentes, nossos governantes não abusariam do poder da forma como fazem. É preciso que a população se mostre atuante no processo político do país, saindo as ruas e dizendo "estou aqui". Afinal, todo cidadão tem o direito de cobrar, e não deve usufruir dele apenas na hora do voto.

No entanto, o que se vê hoje no Brasil é uma população apática, desinteressada em política e que condena os "baderneiros que pararam o trânsito e me fizeram chegar em casa mais tarde". Pra esse tipo de cidadão, não importa o que está acontecendo no país, mas sim qual casal será formado na novela das nove.

25 de abr. de 2013

O terrorismo praticado pelos EUA


Depois da tragédia durante a Maratona de Boston, na última semana, os noticiários do mundo inteiro foram bombardeados (trocadilho infame, ops) com atualizações constantes sobre o ocorrido, o mundo se penalizou pelas vítimas e o FBI foi mobilizado para encontrar os culpados o mais rápido possível. Os irmãos Tsarnaev, ditos responsáveis pelo ato, são vistos agora como a própria "personificação do mal". 


Mas aí, eu pergunto: e quanto às centenas de pessoas que o governo norte-americano mata todos os dias no Oriente, seja direta ou indiretamente? Alguém viu emissoras de TV fazendo luto pelos que morreram nas dezenas de guerras semeadas pelos EUA? Vietnã, Iraque, Afeganistão... E a lista segue. Tudo em defesa dos interesses norte-americanos.

Não estou dizendo que não sinto muito pelos 3 mortos e centenas de feridos em Boston, ou pelas vítimas do 11 de setembro. Só estou dizendo que, quando se trata de atentados contra os EUA, tudo toma uma proporção muito maior. Os EUA e sua poderosa mídia (incluindo aí a mídia cultural também, como os "inocentes" filmes de Hollywood) infiltram em nossas mentes tudo que querem que pensemos, e a gente sai  por aí dizendo amém: Bin Laden, Sadam Hussein e islâmicos são do mal, e viva o Capitão América em defesa da paz no mundo.

26 de dez. de 2012

Fim de ano: tempo de agradecer



Se você assiste aos noticiários deve saber que parte do Nordeste brasileiro está atravessando sua pior seca em décadas. Há meses os sertanejos sofrem com a falta de água, até mesmo para suprir a mais básica das necessidades: beber. Já imaginou o que você faria sem água? Só pare pra pensar um minuto e reflita como nós usamos esse recurso pra absolutamente TUDO. 

Por isso, falta de água consequentemente leva à fome, já que sem água não há como irrigar as plantações e dar de beber ao gado. É uma situação realmente difícil.  

E o que eu estou tentando mostrar com isso é o quanto nós somos sortudos, por nesse momento estarmos confortadamente sentados em nossas casas, com a geladeira cheia e podendo tomar uma ducha pra nos refrescar à hora que quisermos. Enquanto pessoas pensam se vão ter o que comer amanhã, nós pensamos o que vamos vestir no réveillon, se vamos ou não ganhar um iPhone de Natal, “porque minha mãe não me deixa fazer tal coisa”, ou sei lá. É incrível o quanto reclamamos por pequenas coisas. 

O fim de ano é uma época onde todo mundo fica feliz, sentimental e generoso de repente; então nada melhor do que parar pra pensar e agradecer por tudo que temos. E não é pouco, acreditem. 

Feliz natal (atrasado) e um 2013 incrível pra todos nós. :)

12 de ago. de 2012

Falar é fácil


As Olimpíadas terminaram neste domingo, e foi a melhor participação do Brasil na história (Olimpíadas de novo? Chega de Olimpíadas nesse blog, cara). Ganhamos 17 medalhas, e muitas em esportes em que nem imaginávamos ganhar. O que dizer de um bronze no pentatlo? E das medalhas no boxe? Por outro lado, muitos que eram favoritos acabaram saindo de Londres sem medalha.

Entrar nas redes sociais nesses momentos me revoltou. Não pelos resultados, mas pela atitude da torcida. Vi muita gente crucificar nossos atletas sem ao menos entender metade do que estava falando. Pior ainda quando tive que ouvir minha irmã dizer: “o Brasil é uma droga, ein” ao saber que terminamos em 22º no quadro geral de medalhas. Nos achamos no direito de apontar o dedo e criticar, reclamar que dá sempre China e EUA na liderança... Ficar em 22º não é o resultado que gostaríamos, mas em vista da estrutura que os outros países dão a seus atletas, deveríamos é ficar felizes com cada medalha conquistada.

Eu já disse e repito: o esporte olímpico brasileiro é muito desvalorizado. Os únicos esportes que o brasileiro acompanha e valoriza são futebol e vôlei (por coincidência, os esportes em que somos melhores). E só nos “lembramos” que outras modalidades existem durante uma Olimpíada ou Pan-Americano. Mas os atletas, que batalham e lutam diariamente, se preparam por quatro anos para estar lá. E muitos deles, sem o menor incentivo. Se ganharam alguma coisa, é por puro esforço e talento.
Hoje estava lendo que o pai de Esquiva Falcão, medalha de prata no boxe, não tem nem linha telefônica em sua casa no Espírito Santo. É inacreditável.

E quando falo de estrutura, falo também em investir na formação de crianças, investir nas escolas. Como vamos cobrar resultados na natação se as crianças brasileiras não têm acesso a piscina? E como vamos cobrar um “novo Guga” no tênis, se tênis é esporte de burguês, praticado em clubes particulares? Aí vêm uns bonitinhos a cada quatro anos querendo reclamar. Me poupem.
As próximas Olimpíadas serão no Rio, em 2016. Com a competição sendo sediada aqui, a pressão em nossos atletas será ainda maior. Espero que a torcida os apóie, nas derrotas e vitórias, ao invés de apenas criticar.