Na última semana, uma onda de protestos sacudiu a cidade de São Paulo, após o anúncio do aumento da passagem de ônibus, trens e metrô de R$3,00 para R$3,20. Milhares de manifestantes, a maior parte estudantes, se reuniram e pararam vários pontos da cidade, entre eles a Avenida Paulista. Contudo, de um protesto pacífico, a manifestação evoluiu para atos de vandalismo por parte de alguns manifestantes, o que gerou argumento suficiente para mídia e população condenarem a manifestação.
O
que se viu na cobertura das passeatas foi uma série de acusações contra
o movimento, e o foco da imprensa foi mostrar os protestantes apenas
como "um monte de estudantes querendo fazer baderna". Se esqueceu de
falar o porquê de eles estarem lá, em primeiro lugar. Também não foi
mostrado o modo como tais manifestantes foram recebidos pela polícia:
com bala de borracha e gás lacrimogênio. Para o governador Geraldo
Alckmin, parar o trânsito é "caso de polícia"
(assim como é caso de polícia a causa dos professores em greve,
recebidos à bala por nosso nobre governador). A população, por sua vez,
influenciada pela cobertura extremamente
parcial da mídia e pelas imagens de vandalismo que circularam na
imprensa, condenou imediatamente os protestos.
Não
sou a favor das pichações e depredações que ocorreram. O ideal seria, é
claro, uma passeata pacífica. Por outro lado, sou 100% a favor de
manifestações públicas como essa em São Paulo, e acredito que, se
movimentos desse tipo fossem mais frequentes, nossos governantes não
abusariam do poder da forma como fazem. É preciso que a população se
mostre atuante no processo político do país, saindo as ruas e dizendo
"estou aqui". Afinal, todo cidadão tem o direito de cobrar, e não deve
usufruir dele apenas na hora do voto.
No
entanto, o que se vê hoje no Brasil é uma população apática,
desinteressada em política e que condena os "baderneiros que pararam o
trânsito e me fizeram chegar em casa mais tarde". Pra esse tipo de
cidadão, não importa o que está acontecendo no país, mas sim qual casal
será formado na novela das nove.



